segunda-feira, 23 de abril de 2012

E amanhã?

O amanhã pode ser tanta coisa.


Eu quero o hoje. Gosto do agora. Sentir, cheirar, ouvir, ver, perceber o que está acontecendo. E amanhã? O amanhã pode ser tanta coisa.

A vida acontece no presente, como um presente. Busco uma só coisa. Usar esse dom plenamente. E amanhã? O amanhã pode ser tanta coisa.

Quero viver tudo. Choro e logo rio. Tropeço e logo volto a andar. Vivo tudo hoje pra nada me faltar. E amanhã? O amanhã pode ser tanta coisa.

Eu sou sendo. Sou possibilidades infinitas e finito no seu olhar. Quero ser constelação e até areia do mar. E amanhã? O amanhã pode ser tanta coisa.

Sou pleno. Sou denso como buraco negro. Sou pergunta e resposta, partícula e onda. Sou luz quântica. E nesse momento quero ser 0 e 1 ao mesmo tempo. E amanhã? O amanhã pode ser tanta coisa.

Estou certo de ser vários, ser apenas um é incerto. Medo e coragem? Sim e não, mais e/ou menos.

E amanhã? O amanhã pode ser tanta coisa.

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LQ
Luz Quântica

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Aquilo que ninguém vê

  • Provérbios 31:8-9: "Fale a favor daqueles que não podem se defender. Proteja os direitos de todos os desamparados. Fale por eles e seja um juiz justo. Proteja os direitos dos pobres e dos necessitados."
  • Tiago 4:17: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado."
  • Martin Luther King: "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."

Pelo título e por essas frases dá para se imaginar sobre o que venho a escrever, nossa omissão diante de tanta coisa. Para aquilo que fazemos e é palpável, visto, sentido, sempre há espaço para ver seus resultados positivos ou para apontar erros e falhas, mas dificilmente pode se dizer algo sobre aquilo que deixamos de fazer. Adentramos no mar de possibilidades mas nada muito concreto, apenas especulações sobre aquilo que ninguém vê.

Do que estou falando mesmo? Falo da nossa omissão quando nos calamos diante das injustiças políticas cometidas em nosso País e das leis injustas que são aprovadas, sem que façamos “nada” para tentar barrar tais desmandos. Somos omissos quando vemos a prostituição infantil e a violência juvenil tomando conta de nossas cidades e ficamos de braços cruzados. O tratamento injusto e explorador do pobre pelo rico, dos governantes que oprimem seus cidadãos; o suborno, a extorsão dos opressores dominando as cidades. Essa lista é longa, mas fica minha pergunta: Onde está a igreja evangélica diante disso?

Grande parte dela omissa. Se fala tanto em irmandade mas continua dispersa e desunida, fragmenta-se em infidáveis pedaços. Não tem maturidade para encarar seus próprios defeitos e por isso desvia a atenção em apontar os "erros" dos outros. Pobre e frágil igreja evangélica tem outras prioridades, aumentar seu público, apenas repetem, imitam e mantem aqueles que controlam o poder econômico.

O resultado de nossa instagnação se transforma naquilo que ficamos mais inconformados, a injustiça. O pecado social da omissão que gera injustiça. O amor de Deus pelos pobres e pela justiça aparecem diversas vezes ao longo da Bíblia. O desejo de Deus é defender a causa dos oprimidos e vulneráveis perante o povo e os governantes (Dt 10:18).

Os profetas do antigo testamento já denunciavam práticas, padrões de comportamento e sistemas cujo caráter fosse explorador e desumano. O profeta Amós (5:11-12) descreveu como sendo o tipo de culto que Deus deseja. Isaías (58:6-8) disse que é o tipo de jejum que Deus aprecia. Jeremias (22:16) afirma que defender a causa dos pobres e dos oprimidos é CONHECER o próprio Deus. Podemos perceber que o trabalho pela justiça é também uma atividade espiritual.

Jesus (Lucas 4:18-19) diz ser ungido para proclamar o ano jubileu. Quem estivesse ouvindo Jesus naquela época entenderia o conceito do Jubileu, o qual estimulava a busca por uma sociedade mais justa, perdoando dívidas, evitando o aumento excessivo da distância entre ricos e pobres; libertando escravos judeus, assim como libertar espiritualmente.

Voltemos às mensagens proféticas de denúncia daquilo que está em nossa sociedade. Além de denunciar situações que conspiram contra a vida, existem várias práticas que podem contribuir para a promoção da justiça e defesa de direitos. Podemos usar a influência nas políticas públicas através de mecanismos dada a sociedade e procurar outros; usar nosso tempo e experiência para falar com os pobres e conhecer suas causas fundamentais da pobreza, pensando em benefícios a longo prazo e sustentáveis; nossas programações devem pautar as causas sociais e fazer parte de nosso dia-a-dia.

Nossa missão também é de trazer as boas novas aos pobres. A proclamação é contra o pecado e sempre a favor da vida e da esperança. Vemos uma sociedade sem sonhos e perspectivas de vida, introjetada no conformismo de sua situação. A mídia por sua vez faz seu papel de manipuladora e diz o que você precisa fazer, vestir, pensar, comprar, que você sempre está inadequado e atrasado aos "padrões". É nosso papel proclamar e dar as boas notícias que Ser é o Bastante. É nosso papel proclamar as boas novas desse tempo de bonança, paz, sonhos, pois são os sonhos que nos leva à inconformidade com o mundo do jeito que está, nos impulsa a dar o próximo passo da vida, ou seja, para os sonhadores o que existe pode ser mudado de acordo com outra maquete. Nossão missão é proclamar esperança de uma vida e mundo melhor. Aqui um texto de Eduardo Galeano que descreve muito bem a utopia.

E agora vamos mudar o mundo?

Para essa pergunta, pensoque Jesus nos deixou uma pista no milagre da multiplicação dos pães e peixes. Apenas um menino declarou estar com comida, acho até que na sua inocência ele acreditava mesmo que sua comida podia dar conta de toda a multidão. A beleza vem na atitude desse menino, pequena, mas singela e carregada de esperança. Não é possível que diante de toda uma mutidão apenas uma criança tivesse comida, talvez escondessem visto que muitos estavam com fome. Através da atitude do menino, Jesus realizou um milagre mais difícil que multiplicar pães e peixes, multiplicou atitudes de partilha, compaixão e esperança. Talvez Jesus espere apenas uma pequena atitude como a do menino para ecoar e transbordar nos corações de uma multidão.

No texto "Deus e o Alfaite", mudar o mundo nos escapa mas utilizando o talento de cada um, podemos fazer com excelência o que está ao nosso alcance. Jesus precisou apenas da atitude de um pobre menino e às vezes não acreditamos nas potencialidades que temos. Diante de tudo o que somos com temperamentos, desejos, deficiências, qualidades, sombras e luzes, ainda assim, Deus nos fez e quer assim, para servi-lO e continuar trabalhando para superar-nos.

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Lucas Queiroz

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Deus e o alfaiate

"Mudar o mundo e o universo nos escapa, a confecção de uma calça perfeita está a nosso alcance e nos dá orgulho!"

Deus e o Alfaiate
O título deste artigo poderia muito bem ser: o Mundo e a Calça. Nas minhas leituras encontrei um apólogo (historieta que ilustra sabedoria) que me fez refletir e que quero compartilhar com você, leitor. Trata-se de uma peça de humor da católica Irlanda citada pelo renomado teatrólogo e dramaturgo Samuel Beckett. “Um inglês precisando rapidamente de uma calça nova para os festejos de Ano Novo vai ao alfaiate que toma suas medidas.

– Pronto. Volte em quatro dias. Quatro dias mais tarde, o alfaiate revela a seu cliente: – Me desculpe, errei o fundo, volte em oito dias. Oito dias mais tarde:
– Volte daqui a dez dias: lamento, estraguei uma das pernas. Dez dias mais tarde. – Oh! Arruinei a braguilha... Finalmente, de costura em costura, a Páscoa florida chega e o alfaiate erra as botoeiras. – Meu Deus, Senhor, isso é indecente no final das contas! Em seis dias, você entende, em seis dias, Deus fez o mundo. Sim, senhor, o mundo em seis dias! E você, você não consegue fazer uma calça em três meses! Aí o alfaiate responde, com desdém: – Mas meu Senhor, mas Senhor, olhe o mundo. E com orgulho: – e olhe a minha calça!”.

Qual ideia tirar dessa historieta? Talvez a seguinte. Face à imperfeição do mundo, do universo, do macrocosmo, o único recurso não é de nos lamentarmos, nem de nos desesperarmos, nem mesmo de tentarmos consertá-lo, mas de nos voltarmos sobre o microcosmo para realizar, nesta modesta escala, um pouco de beleza que o mundo nos recusa. Talvez a mesma mensagem nos seja passada por Guimarães Rosa quando nos diz que “o mundo não é maravilhoso, mas é feito de pequenas maravilhas”, que podemos multiplicar. Sei que pode parecer pouco para nós, eternos sonhadores de sentido absoluto e de imortalidade, mas pode ser o que a nossa condição nos permite.


Hoje em dia, cada vez mais pessoas sentem o peso dos impasses da comunicação entre os seres humanos; o homem moderno sente-se cada vez mais isolado já que fugiu da certeza de Deus. O mundo parece cada vez mais um grande Shopping Center cheio de mercadorias expostas em vitrinas ilusórias, mas sem peso significativo, uma imensa movimentação num universo sem direção nem eixo. Mal-estar existencial diante de uma vida que parece cada vez mais sem fundamentos essenciais. Quais são, de fato, nossas relações fundamentais conosco mesmo, com a transcendência e com a divindade?

A historieta acima parece nos ensinar a não focalizar demasiadamente nossa atenção sobre as grandes questões existenciais como a do universo no qual estamos mergulhados, como as de nossas relações com o outro e conosco mesmo, para nos ocuparmos em construir e reconstruir para melhor nosso mundo imediato. Mudar o mundo e o universo nos escapa, a confecção de uma calça perfeita está a nosso alcance e nos dá orgulho! Mesmo assim o sonho e a utopia não nos são proibidos; sem eles não há calça perfeita. Mas tudo na dimensão de homens, não na de deuses.

André Haguette
haguette@superig.com.br
Sociólogo

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Juventude Evangélica e Políticas Públicas


A juventude brasileira vivenciou, nos últimos anos, uma série de conquistas, incluindo a aprovação da Emenda Constitucional 65, que inseriu o termo “jovem” no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais da Constituição Federal. Temos também o Estatuto da Juventude, em ampla discussão no Congresso Nacional, que propõe a definição dos direitos da juventude e a constituição de um sistema de juventude, estabelecendo a responsabilidade das três esferas governamentais no estabelecimento das políticas para a juventude.

O interesse pela temática também tem respaldo no enorme contingente populacional compreendido pela população jovem no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Ministério da Educação e do Banco Mundial estimam que a população brasileira jovem chegue a 50 milhões, o que representaria 26% da população total. Número que por si só justifica, de forma incontestável, a necessidade de políticas específicas.

Diante disso, vimos que é imprescindível o envolvimento de igrejas e entidades cristãs na elaboração e implementação das Políticas Públicas de Juventude (PPJs), através da promoção de eventos e participação nos conselhos locais e regionais de juventude. Jovens cristãos precisam discutir participação evangélica em políticas de juventude, afinal nós também somos alvo delas. A juventude evangélica apresenta um enorme potencial para mudar a realidade social devido à capacidade de organização, mas não pode reduzir sua participação à organização eclesial.

É necessário que a igreja ocupe as praças, as universidades, as favelas, os conselhos, com o coração pronto a servir e amar cada jovem, reconhecendo neles a imagem de Deus e a riqueza da diversidade representada pelo segmento.

Como cristãos, o envolvimento em discussões dessa natureza deve significar presença ativa que se dispõe a interferir em sua própria realidade, com nosso testemunho e olhar.

A Rede FALE e ABUB (Aliança Bíblica Universitário do Brasil) promovem esse evento no intuito de convocar as igrejas a perceberem a capacidade de cada jovem em ser um agente de transformação. O evento pretende sensibilizar e mobilizar jovens (evangélicos) para a prática da participação cidadã e ação política. Desta maneira podemos ser igreja missionária entre os jovens e atuante na sociedade.

Com o objetivo de fomentar a articulação da juventude evangélica e a participação cidadã da mesma é que convidamos você a se fazer presente no dia 03 de dezembro às 19:00h na Igreja Betesda do Joaquim Távora (Rua Capitão Gustavo 3552 - Próximo ao Mercado), para o evento que contará com a participação do Coordenador de Juventude de Fortaleza, Afonso Tiago, que falará sobre Políticas Públicas de Juventude (PPJ).

Acreditamos que a contribuição das igrejas evangélicas pode ser maior do que tem sido até aqui.

Não fique fora desse debate!

LINKS
http://www.fale.org.br/
http://formacaoredefale.pbworks.com/w/page/11964990/FALE%20por%20Pol%C3%ADticas%20P%C3%BAblicas%20de%20Juventude
http://www.abub.org.br/
http://www.fortaleza.ce.gov.br/juventude/
http://www.juventude.gov.br/
http://www.juventude.gov.br/conferencia

RESUMO
Tema: Políticas Públicas de Juventudes - PPJ
Convidado: Coordenador de Juventude de Fortaleza, Afonso Tiago
Local: Auditório da Igreja Betesda Joaquim Távora
Endereço: Rua Capitão Gustavo 3552 - Próximo ao Mercado da Av. Pontes Vieira
Dia e Horário: 03 de Dezembro, às 19:00hs
Evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/131347630308793/


Saudações fraternas,
ABUB e Rede FALE

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Cupim


Zé: Temos um grande problema e devemos matar o cupim.
Ninguém: Ora, mas por que?

Zé: Ele está aos poucos corro(mp)endo as pessoas até virarem pó. Apenas um sopro e as pessoas-pós se confundem umas as outras, levando-as para qualquer direção.
Ninguém: Não acho que devemos matar o cupim. O problema é outro, cupins sempre vão aparecer.

Zé: Não matar? E como resolver então?
Ninguém: Diga para as pessoas que elas não são feitas de madeira.

Zé: E são feitas de que?

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Lucas Queiroz